A intubação traqueal é um procedimento que exige preparo, técnica e uma estratégia bem definida. Em pacientes críticos, estabelecer uma via aérea segura na primeira tentativa pode ser especialmente importante.
O sucesso na primeira tentativa de uma intubação depende de diferentes fatores: condições clínicas e anatômicas do paciente, experiência da equipe, posicionamento, preparo dos materiais e escolha dos dispositivos.
Para isso, o videolaringoscópio ganhou espaço como um facilitador da visualização da glote, aumentando as chances de sucesso na primeira tentativa em determinados cenários.
Inclusive, uma resolução recente do Conselho Federal de Medicina (CFM) tornou sua disponibilidade obrigatória em locais do Brasil que realizam sedação.
O que é sucesso na primeira tentativa de intubação?
O termo “sucesso na primeira tentativa” é utilizado quando a intubação traqueal é realizada com sucesso após a primeira introdução do laringoscópio, sem a necessidade de uma nova tentativa de laringoscopia.
Esse resultado é particularmente relevante em pacientes críticos. Uma nova tentativa exige mais tempo de manipulação das vias aéreas e aumenta a exposição a eventos como hipoxemia, instabilidade hemodinâmica e trauma das vias aéreas.
Por isso, o objetivo é estabelecer uma via aérea segura, mantendo a oxigenação e reduzindo a necessidade de tentativas adicionais.
O que pode dificultar a primeira tentativa?
O manejo das vias aéreas pode ser influenciado por características do paciente, pelas condições do atendimento e pela preparação da equipe.
Entre os fatores que podem dificultar o procedimento estão:
- anatomia das vias aéreas – como via aérea difícil;
- limitação da abertura da boca;
- restrição da mobilidade cervical;
- presença de sangue, secreções ou vômito;
- alterações clínicas e fisiológicas do paciente;
- posicionamento inadequado;
- situação de emergência;
- experiência do profissional;
- disponibilidade e familiaridade com os equipamentos.
Por isso, sempre que a situação permitir, a avaliação prévia das vias aéreas e a preparação dos materiais são etapas importantes.
Também é fundamental reconhecer rapidamente uma tentativa malsucedida e avançar para uma estratégia alternativa, evitando a repetição de tentativas sem uma mudança de abordagem.
Como aumentar as chances de sucesso na primeira tentativa?
Não existe uma única medida capaz de garantir o sucesso da intubação. A segurança depende da combinação entre planejamento, capacitação, técnica e recursos adequados.
Entre os principais cuidados estão:
- avaliar as vias aéreas e as condições clínicas do paciente;
- posicionar adequadamente o paciente;
- realizar pré-oxigenação quando indicada;
- conferir previamente os equipamentos e materiais necessários;
- deixar dispositivos de resgate disponíveis;
- definir uma estratégia alternativa;
- utilizar equipamentos com os quais a equipe esteja familiarizada.
O treinamento também faz diferença. A disponibilidade de uma tecnologia não substitui o conhecimento sobre seu funcionamento e a prática necessária para utilizá-la adequadamente.
Qual é o papel da videolaringoscopia?
Na laringoscopia direta, o profissional precisa obter uma visualização direta das estruturas da via aérea para identificar a glote. Na videolaringoscopia, uma câmera localizada próxima à extremidade da lâmina transmite a imagem para uma tela, permitindo uma visualização indireta.
Essa diferença pode facilitar a identificação da glote em determinadas situações e ampliar as opções disponíveis para o manejo das vias aéreas.
A evidência mais recente reforça esse potencial. Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2024, que reuniu 20 ensaios clínicos randomizados e 4.569 pacientes críticos, concluiu que a videolaringoscopia provavelmente aumenta o sucesso na primeira tentativa em comparação à laringoscopia direta e reduz a ocorrência de intubação esofágica.
Um grande ensaio clínico multicêntrico também encontrou uma diferença relevante: entre 1.417 adultos críticos, o sucesso na primeira tentativa foi de 85,1% com videolaringoscopia, contra 70,8% com laringoscopia direta.
Leia também: Intubação com videolaringoscópio: como esse recurso transforma a prática clínica
O uso de videolaringoscópio é obrigatório?
A Resolução CFM nº 2.471/2026 estabelece a obrigatoriedade de videolaringoscópios nos estabelecimentos que realizam procedimentos diagnósticos e terapêuticos sob sedação em regime ambulatorial.
Publicada em 17 de setembro de 2026, a norma também prevê outros requisitos de segurança, como capnógrafo, monitorização eletrocardiográfica contínua, materiais para manejo de vias aéreas e a presença de um médico anestesiologista exclusivo para a sedação.
A resolução entra em vigor 180 dias após a publicação, em março de 2027.
Qual solução é a mais recomendada?
Na MA Hospitalar oferecemos soluções para o manejo das vias aéreas, e a mais recomendada é o Videolaringoscópio VS-10S, da Medcaptain.
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Como preparar a equipe para uma intubação mais segura?
A escolha do equipamento é apenas uma parte da preparação.
Para incorporar uma nova tecnologia à rotina, a instituição também precisa considerar treinamento, protocolos e familiaridade da equipe com o dispositivo. Checklists podem ajudar na conferência dos materiais, medicamentos e dispositivos de resgate antes do procedimento.
Treinamentos e simulações também permitem que os profissionais pratiquem o uso do equipamento e estejam mais preparados.
Primeira tentativa: preparo também faz parte do procedimento
Aumentar as chances de sucesso na primeira tentativa de intubação envolve múltiplos fatores.
E o videolaringoscópio é mais uma ferramenta disponível nesse processo e pode ampliar a visualização das estruturas das vias aéreas e aumentar as chances de sucesso em determinados cenários.
Na MA Hospitalar, você encontra o Videolaringoscópio VS-10S Medcaptain e outras soluções para anestesia, emergência e cuidados críticos.
Perguntas frequentes
Por que o sucesso na primeira tentativa é importante?
Porque novas tentativas podem aumentar a exposição do paciente a eventos adversos, especialmente em situações críticas. O objetivo é estabelecer uma via aérea segura com o menor número de tentativas possível, sem comprometer oxigenação e segurança do paciente.
O videolaringoscópio garante o sucesso na primeira tentativa?
Não. A videolaringoscopia pode aumentar as chances de sucesso em determinados cenários, mas o resultado também depende das condições do paciente, da técnica, da experiência do profissional e de outros fatores, como a escolha da lâmina ideal de acordo com o perfil do paciente.
Quando o videolaringoscópio passa a ser obrigatório?
A partir de março de 2027, clínicas e estabelecimentos que realizam procedimentos ambulatoriais sob sedação deverão contar com videolaringoscópio entre os equipamentos disponíveis para o atendimento. A medida faz parte das novas exigências de segurança estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que também incluem recursos de monitorização e equipamentos para o manejo das vias aéreas.
Qual é a diferença entre laringoscopia direta e videolaringoscopia?
Na laringoscopia direta, o profissional busca visualizar diretamente as estruturas da via aérea. Na videolaringoscopia, uma câmera transmite a imagem para uma tela, proporcionando uma visualização indireta.
O videolaringoscópio pode ser utilizado em casos de via aérea difícil?
Pode fazer parte das estratégias de manejo da via aérea difícil, de acordo com a avaliação do paciente, a experiência do profissional e os protocolos estabelecidos pela instituição. Diretrizes recentes de manejo de via aérea difícil incluem a videolaringoscopia entre os recursos considerados nessas situações. A Medcaptain possui um modelo de lâmina específica para vias aéreas difíceis.
O treinamento influencia o uso do videolaringoscópio?
Sim. Conhecer o equipamento, praticar sua utilização e integrá-lo aos protocolos da instituição são aspectos importantes para que a tecnologia seja utilizada de forma adequada.