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Sofrimento fetal: como identificar os sinais com a cardiotocografia

imagem de uma doutora realizando uma ultrassom

O sofrimento fetal decorre de um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio para o feto. Ele pode ser causado por fatores maternos, como hipotensão e doenças cardiovasculares, pelo descolamento prematuro da placenta e insuficiência placentária, ou a compressão do cordão umbilical.

O sofrimento fetal, estado de hipóxia e/ou acidose capaz de comprometer a vitalidade embrionária, representa uma das principais indicações de intervenção obstétrica imediata. 

Diante desse cenário, a vigilância anteparto e intraparto assume papel essencial na redução da morbimortalidade perinatal, sendo a cardiotocografia (CTG) o método mais utilizado para monitorização contínua da frequência cardíaca fetal (FCF) associada à atividade uterina. 

A interpretação sistemática dos traçados cardiotocográficos permite identificar padrões de sofrimento agudo ou crônico, como desacelerações tardias, diminuição da variabilidade basal e bradicardia prolongada, possibilitando intervenções oportunas para preservar o bem-estar gestacional.

Causas mais comuns de sofrimento fetal

A maioria dos casos decorre de hipóxia aguda por alterações severas do cordão (como prolapso) ou hipóxia crônica por insuficiência placentária prolongada. Contudo, não é só o cordão que pode desencadear a condição. 

Veja os principais fatores, a seguir:

1. Fatores maternos

Alterações maternas podem comprometer a oxigenação fetal ao reduzir o fluxo sanguíneo uteroplacentário ou a quantidade de oxigênio disponível no sangue materno. Os casos aumentam devido à:

  • Hipotensão materna grave (por exemplo, após analgesia peridural ou choque);
  • Hipertensão arterial sistêmica ou pré-eclâmpsia, com a diminuição da perfusão uteroplacentária;
  • Doenças maternas que reduzem a oxigenação sanguínea, como cardiopatias, insuficiência respiratória ou anemia grave;
  • Uso de drogas vasoativas (ex.: cocaína) ou medicamentos que causam vasoconstrição uterina.

2. Fatores placentários

A placenta é o principal meio de troca gasosa e nutricional entre mãe e feto, e suas alterações estruturais ou funcionais podem levar a:

  • Insuficiência placentária crônica, comum em gestantes com hipertensão crônica, diabetes mal controlado, colagenoses;
  • Descolamento prematuro da placenta (DPP);
  • Placenta prévia com sangramento importante;
  • Infartos placentários extensos.

3. Fatores do cordão umbilical

O cordão umbilical pode sofrer eventos mecânicos que comprometem rapidamente o fluxo sanguíneo, levando a sofrimento agudo do feto, com:

  • Prolapso;
  • Compressão do cordão por enrolamento excessivo ao redor do pescoço;
  • Nó verdadeiro no cordão;
  • Cordão umbilical curto, limitando os movimentos fetais durante as contrações.

4. Fatores fetais

Alterações próprias do feto podem predispor ao comprometimento embrionário, principalmente pela menor reserva funcional frente a situações de estresse. Entre as principais, podemos citar:

  • Malformações congênitas graves, especialmente cardíacas ou do sistema nervoso central;
  • Infecções fetais graves;
  • Restrição de crescimento intrauterino (RCIU), geralmente associada a insuficiência placentária crônica;
  • Anemia grave do bebê (ex.: doença hemolítica perinatal).

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Sinais e sintomas do sofrimento fetal

A maioria dos sinais de sofrimento fetal não são facilmente percebidos sem monitorização adequada, dependendo, na maior parte das vezes, de vigilância ativa por meio de métodos de monitorização, associada à atenção cuidadosa aos relatos maternos.

Entre as principais manifestações da condição, podemos citar:

  • Alterações na frequência cardíaca do feto (FCF), com bradicardia (< 110 bpm), taquicardia (> 160 bpm), desacelerações tardias ou variáveis recorrentes;
  • Redução ou ausência da variabilidade da FCF;
  • Presença de mecônio espesso no líquido amniótico;
  • Movimentos fetais diminuídos ou ausentes percebidos pela gestante;
  • pH baixo do feto (acidose) em amostra de sangue do couro cabeludo;
  • Resultados alterados em métodos complementares, como dopplervelocimetria com alterações no fluxo umbilical ou cerebral.

Como a cardiotocografia contribui no diagnóstico do sofrimento fetal?

A cardiotocografia contribui essencialmente para o diagnóstico do feto ao possibilitar a avaliação contínua e dinâmica da frequência cardíaca, em relação às contrações uterinas, permitindo identificar padrões sugestivos de hipóxia aguda ou crônica.

Por meio da análise da linha de base, da variabilidade, da presença de acelerações e desacelerações, a CTG detecta precocemente alterações como bradicardia, taquicardia, desacelerações tardias e redução da variabilidade, achados classicamente associados ao comprometimento do bem-estar do feto. 

Essa monitorização em tempo real possibilita a intervenção rápida, quando há sinais de sofrimento, reduzindo o risco de acidose, lesão neurológica ou óbito intrauterino. 

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O que observar na CTG?

Devemos observar sistematicamente quatro parâmetros principais que compõem a análise do traçado e permitem avaliar o bem-estar do feto, sendo eles:

1. Linha de base da frequência cardíaca fetal (FCF)

  • Valor médio da FCF em repouso (sem contrações) por um período de 10 minutos;
  • Normal: entre 110–160 bpm;
  • Bradicardia (< 110 bpm) ou taquicardia (> 160 bpm) podem indicar sofrimento do feto, infecção ou outras causas.

2. Variabilidade da FCF

  • Oscilações naturais (batimento a batimento) em torno da linha de base, refletindo integridade do sistema nervoso central e status autonômico do feto;
  • Normal: 6–25 bpm de amplitude;
  • Variabilidade mínima, ausente ou exagerada (> 25 bpm) são achados que devem ser avaliados, pois a redução importante sugere hipóxia, acidose ou depressão do SNC.

3. Acelerações

  • Elevação transitória da FCF ≥ 15 bpm acima da linha de base, durando ≥ 15 segundos;
  • Presença de acelerações é sinal de reatividade e bom prognóstico intrauterino.

4. Desacelerações

  • Quedas transitórias da FCF. Neste caso, avalia-se o tipo, profundidade, duração e relação com as contrações;
  • Desacelerações precoces que coincidem com as contrações; geralmente fisiológicas (compressão da cabeça do feto);
  • Desacelerações tardias que começam após o pico da contração; associadas a comprometimento do feto por hipóxia/insuficiência placentária;
  • Desacelerações variáveis, com formato variável e relacionadas à compressão do cordão umbilical.

Além disso, é importante correlacionar esses achados com a atividade uterina (frequência e intensidade das contrações) para compreender a repercussão na criança.

Condutas clínicas diante de alterações na cardiotocografia

Frente à bradicardia fetal mantida, desacelerações tardias repetidas ou variabilidade mínima, ou ausente, a prioridade é interromper rapidamente fatores que agravem a hipóxia. 

As medidas iniciais incluem reposicionar a gestante (decúbito lateral esquerdo preferencialmente) para melhorar o retorno venoso e o fluxo uteroplacentário.

Administrar oxigênio suplementar por máscara, suspender ocitocina se estiver em uso para reduzir a frequência das contrações e, se houver sinais de hipertonia ou taquissistolia uterina, utilizar um tocolítico (como beta-agonista) para diminuir a pressão intrauterina e melhorar a perfusão fetal.

Na persistência de traçado não tranquilizador, especialmente quando associado a pH fetal baixo (< 7,20) ou outros sinais clínicos de sofrimento agudo, deve-se indicar interrupção imediata da gestação. 

Em geral, a via de escolha é a cesariana de urgência, exceto quando o parto vaginal estiver iminente e puder ser concluído de forma rápida e segura (por exemplo, parto operatório com fórceps ou vácuo-extrator). 

Lembrando que essa decisão deve ser baseada na dilatação cervical, estação fetal e condições maternas.

Quando há traçado suspeito, mas sem critérios diagnósticos de sofrimento agudo do feto, pode-se intensificar a monitorização com cardiotocografia contínua, repetir exames complementares como dopplervelocimetria ou amostragem do pH do sangue, e avaliar a evolução clínica. 

Nessas situações, a correção de fatores reversíveis (hipotensão materna, hipertermia, desidratação) também faz parte da conduta, sempre associada ao acompanhamento obstétrico especializado.

Prevenção do sofrimento fetal no pré-natal

A prevenção do sofrimento fetal no pré-natal baseia-se na identificação e manejo adequado dos fatores de risco maternos, placentários e fetais, visando garantir um ambiente intrauterino saudável e minimizar as chances de hipóxia. 

Inicialmente, é fundamental o acompanhamento regular e rigoroso da gestante, com avaliação clínica detalhada e exames laboratoriais que detectam doenças maternas como hipertensão, diabetes mellitus e anemia, as quais podem comprometer a perfusão uteroplacentária e a oxigenação do feto.

Além disso, o uso da ultrassonografia obstétrica, incluindo a avaliação da vitalidade fetal, crescimento, quantidade de líquido amniótico e dopplervelocimetria das artérias uterinas, umbilicais e cerebrais, permite identificar precocemente sinais de:

  • Insuficiência placentária;
  • Restrição de crescimento intrauterino;
  • Alterações hemodinâmicas que predispõem ao comprometimento do feto.

Orientações quanto a hábitos maternos saudáveis, incluem a cessação do tabagismo, abstinência de álcool e drogas, alimentação equilibrada e controle do ganho de peso.

A educação sobre a importância da percepção dos movimentos fetais, incentivando a gestante a comunicar qualquer redução, é outra estratégia importante para a detecção precoce.

Por fim, em casos de gestação de alto risco, protocolos específicos de vigilância intensificada, com monitoramento fetal mais frequente e eventual antecipação do parto, são adotados para prevenir complicações graves.

Tecnologia e inovação no rastreio de sofrimento fetal

Nos últimos anos, avanços tecnológicos e inovações têm ampliado significativamente as ferramentas disponíveis para o rastreio e monitoramento do sofrimento para o feto, promovendo maior precisão diagnóstica e segurança obstétrica. 

Além da cardiotocografia convencional, que permanece como padrão-ouro para monitorização intraparto, o desenvolvimento de métodos complementares como a cardiotocografia computadorizada com análise automatizada de padrões (inteligência artificial aplicada), permite uma interpretação mais objetiva e padronizada dos traçados, reduzindo a variabilidade interobservador.

Outro avanço importante é o uso da monitorização por ECG fetal intraparto (STAN®), que avalia a atividade eletrofisiológica do miocárdio, auxiliando na detecção precoce de hipóxia e acidose, sobretudo quando associada à cardiotocografia tradicional. 

Essa tecnologia tem demonstrado redução nas taxas de cesarianas de urgência e melhora nos desfechos neonatais.

Além disso, técnicas avançadas de imagem, como a dopplervelocimetria com software tridimensional e a elastografia placentária, permitem uma avaliação mais detalhada da função placentária e do fluxo sanguíneo durante o pré-natal, antecipando o diagnóstico de sofrimento crônico.

Um bom exemplo de Monitor Fetal Cardiotocógrafo é o F3 da Edan, um modelo avançado de tecnologia aplicada ao rastreio e monitoramento do sofrimento fetal. 

Projetado para uso em clínicas, hospitais e consultórios obstétricos, o F3 oferece medições precisas da frequência cardíaca (FHR), contrações uterinas (TOCO) e movimento (FM) .

Uma das inovações desse modelo é o sistema de análise integrada de cardiotocografia (CTG), que permite interpretar padrões de FHR, TOCO e FM em tempo real, auxiliando na identificação precoce de sinais de sofrimento fetal. 

Além disso, o F3 é portátil, possui tela colorida dobrável de 5,6 polegadas, memória interna para até 60 horas de monitoramento contínuo e capacidade de armazenamento via USB, facilitando o registro e a análise dos dados.

Conheça outros equipamentos de monitoramento obstétrico aprovados pela ANVISA e o Ministério da Saúde no site da MA Hospitalar.

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