A manutenção da temperatura corporal durante o período perioperatório é importante para a segurança do paciente, e exige monitoramento contínuo e estratégias adequadas de prevenção.
A hipotermia perioperatória pode acontecer em diferentes momentos do atendimento cirúrgico, desde a preparação do paciente até a recuperação pós-anestésica.
A exposição ao ambiente cirúrgico, os efeitos da anestesia, a duração do procedimento e a administração de fluidos em temperatura inadequada são alguns dos fatores que contribuem para a redução da temperatura corporal.
Continue a leitura para entender o que pode causar a hipotermia perioperatória e quais medidas podem ajudar a preveni-la!
O que é hipotermia perioperatória?
A hipotermia perioperatória ocorre quando a temperatura corporal do paciente fica abaixo dos níveis considerados adequados durante o período relacionado ao procedimento cirúrgico.
Segundo recomendações do National Institute for Health and Care Excellence (NICE), a hipotermia perioperatória é caracterizada por temperatura central inferior a 36 °C. A instituição recomenda avaliar a temperatura antes da cirurgia e realizar o monitoramento durante o procedimento e a recuperação.
Na anestesia, o organismo apresenta alterações na capacidade de regular a temperatura. A exposição de áreas extensas do corpo, a temperatura da sala cirúrgica e a administração de fluidos também podem favorecer a perda de calor.
Por que a hipotermia pode ocorrer durante a cirurgia?
A redução da temperatura corporal pode estar relacionada a diferentes fatores. Entre os principais:
Efeitos da anestesia
Os agentes anestésicos podem interferir nos mecanismos responsáveis pela regulação da temperatura corporal.
Dessa forma, ocorre uma redistribuição do calor do compartimento central para os tecidos periféricos, e redução de algumas respostas fisiológicas contra a perda de calor.
Exposição ao ambiente cirúrgico
Durante uma cirurgia, parte do corpo do paciente precisa permanecer exposta para realizarem o procedimento.
Essa exposição, especialmente quando envolve áreas extensas da superfície corporal, pode aumentar a perda de calor.
Administração de fluidos e sangue
A administração de grandes volumes de soluções intravenosas ou hemoderivados sem aquecimento também contribui para a redução da temperatura corporal.
Isso merece atenção principalmente em procedimentos prolongados ou com grande volume de fluidos.
Duração do procedimento
Quanto maior o tempo de cirurgia, maior pode ser a exposição aos fatores que favorecem a perda de calor.
Por isso, procedimentos mais longos precisam de estratégias adicionais para auxiliar na manutenção da temperatura.
Quais são os riscos da hipotermia perioperatória?
Alterações cardiovasculares, interferências na coagulação e aumento da demanda metabólica durante o reaquecimento.
Em um ensaio randomizado publicado no New England Journal of Medicine, 200 pacientes submetidos a cirurgia colorretal foram divididos entre um grupo mantido em normotermia e outro que recebeu o cuidado térmico convencional. A incidência de infecção da ferida cirúrgica foi de 6% no grupo normotérmico, contra 19% no grupo hipotérmico.
O estudo também encontrou menor tempo de hospitalização entre pacientes mantidos em normotermia.
Além disso, a hipotermia pode provocar tremores e sensação de frio, aumentando o desconforto durante a recuperação.
Como prevenir a hipotermia durante o período perioperatório?
A prevenção começa antes mesmo da entrada do paciente na sala cirúrgica.
Algumas medidas podem ser incorporadas à rotina da instituição:
Avaliar a temperatura antes do procedimento
A avaliação pré-operatória permite identificar pacientes que já apresentam temperatura reduzida e estabelecer medidas preventivas antes da indução anestésica.
Monitorar a temperatura
O acompanhamento da temperatura durante o procedimento ajuda a identificar alterações e avaliar a necessidade de intervenções.
A frequência do monitoramento deve considerar fatores como duração da cirurgia, técnica anestésica e condição clínica do paciente.
Reduzir a exposição desnecessária
Sempre que possível, áreas do corpo que não participam diretamente do procedimento devem permanecer protegidas.
Essa medida ajuda a reduzir a perda de calor para o ambiente.
Uso de métodos ativos de aquecimento
Quando existe risco de hipotermia, sistemas de aquecimento ativo podem ser usados para ajudar na manutenção da temperatura corporal.
Entre as opções disponíveis estão:
- Sistemas de aquecimento por ar forçado;
- Mantas térmicas;
- Colchões aquecidos;
- Dispositivos para aquecimento de fluidos.
Essas medidas estão presentes também nas recomendações do NICE. A diretriz orienta o aquecimento ativo no período perioperatório e recomenda o uso de dispositivos de aquecimento por ar forçado para pacientes submetidos a anestesia por mais de 30 minutos ou com maior risco de hipotermia.
O que dizem os estudos sobre o aquecimento ativo?
Uma revisão sistemática da Cochrane, que reuniu 67 estudos randomizados e 5.438 pacientes, avaliou diferentes sistemas de aquecimento ativo usados durante o período perioperatório. Entre as tecnologias analisadas, o aquecimento por ar forçado foi a estratégia mais estudada.
A revisão encontrou benefícios do aquecimento ativo na prevenção da hipotermia e também observou redução de infecções e complicações de feridas cirúrgicas em alguns estudos. Os pacientes que receberam aquecimento ativo também apresentaram menor ocorrência de calafrios e tremores e maior conforto térmico.
Os autores, no entanto, destacam que os resultados variam conforme o tipo de cirurgia, o método utilizado e outros cuidados adotados durante o período perioperatório. Portanto, a tecnologia deve ser pensada dentro de uma estratégia mais ampla de manutenção da normotermia.
Sistema de aquecimento por ar forçado: como funciona?
Entre as tecnologias para auxiliar no controle térmico está o aquecimento por ar forçado.
Nesse sistema o equipamento produz ar aquecido e o direciona para uma manta térmica posicionada sobre o paciente.
O ar é distribuído pela superfície da manta, proporcionando aquecimento ao corpo e contribuindo na manutenção da temperatura.
Sistema de aquecimento Tappa para a rotina perioperatória
O Sistema de Aquecimento Tappa é um dos nossos lançamentos e foi feito para ser usado na prevenção da hipotermia perioperatória
O equipamento tem aquecimento cerâmico PTC e controle automático de temperatura, contribuindo para uma operação mais prática.
Quais pacientes apresentam maior risco de hipotermia?
O risco varia conforme as características do paciente e do procedimento.
Alguns grupos merecem atenção especial:
- Pacientes idosos;
- Crianças e recém-nascidos;
- Pessoas com baixo peso corporal;
- Pacientes submetidos a cirurgias prolongadas;
- Procedimentos com grande exposição da superfície corporal;
- Cirurgias com administração significativa de fluidos;
- Pacientes que chegam ao centro cirúrgico com temperatura reduzida.
Monitoramento e aquecimento devem trabalhar juntos
A prevenção da hipotermia não depende de uma única tecnologia. O monitoramento permite acompanhar a temperatura do paciente, enquanto os métodos de aquecimento podem ser usados quando houver indicação.
Por isso, o ideal é que essas medidas estejam integradas aos protocolos da instituição de saúde, considerando desde a avaliação pré-operatória até a recuperação após a anestesia.
O próprio NICE recomenda a continuidade do aquecimento ativo no período intraoperatório e, quando necessário, na recuperação pós-anestésica.
Quer evitar a hipotermia perioperatória?
A hipotermia perioperatória é uma condição que merece atenção durante diferentes etapas do atendimento cirúrgico.
E o Sistema de aquecimento Tappa é uma alternativa para instituições que buscam incorporar o aquecimento por ar forçado à rotina perioperatória.
Para conhecer essa e outras soluções, acesse o portfólio da MA Hospitalar. E se precisar de ajuda para encontrar a tecnologia certa para a sua instituição, fale com a nossa equipe.
Perguntas frequentes sobre hipotermia perioperatória
O que causa hipotermia durante uma cirurgia?
A hipotermia pode ocorrer pela combinação de fatores como os efeitos da anestesia sobre a termorregulação, exposição corporal, temperatura do ambiente, duração do procedimento e administração de fluidos sem aquecimento.
Como prevenir a hipotermia perioperatória?
A prevenção envolve avaliar a temperatura antes da cirurgia, monitorar no decorrer do procedimento, limitar a exposição corporal e usar métodos ativos de aquecimento quando indicados.
O que é aquecimento por ar forçado?
É uma técnica de aquecimento ativo na qual um equipamento produz ar aquecido e o direciona para uma manta térmica posicionada sobre o paciente. O calor é distribuído pela superfície da manta para a manutenção da temperatura corporal.
Para que serve o Sistema de aquecimento Tappa?
O Sistema de aquecimento Tappa é um sistema de aquecimento por ar forçado que auxilia na prevenção da hipotermia perioperatória e na manutenção da temperatura corporal.
O Sistema de aquecimento Tappa pode ser utilizado na recuperação pós-anestésica?
Sim. O equipamento pode ser usado na recuperação pós-anestésica, além de centros cirúrgicos, UTI e outros ambientes nos quais seja necessário manutenção da temperatura corporal do paciente, conforme as orientações do fabricante e os protocolos da instituição.
As mantas térmicas do Sistema de aquecimento Tappa são descartáveis ou reutilizáveis?
O sistema é compatível com mantas térmicas descartáveis e reutilizáveis de ar forçado, adquiridas separadamente. É importante usar acessórios compatíveis com o equipamento e seguir as orientações do fabricante.
Referências utilizadas
- NICE. Hypothermia: prevention and management in adults having surgery (CG65). Diretriz publicada em 2008 e atualizada em 2016.
- Madrid E, et al. Active body surface warming systems for preventing complications caused by inadvertent perioperative hypothermia in adults. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2016.
- Kurz A, Sessler DI, Lenhardt R. Perioperative Normothermia to Reduce the Incidence of Surgical-Wound Infection and Shorten Hospitalization. New England Journal of Medicine, 1996;334:1209–1216. DOI: 10.1056/NEJM199605093341901.