Saber como calcular anestesia local é essencial para garantir que o paciente não sinta dor ou desconforto durante o procedimento cirúrgico. Além disso, o cálculo correto ajuda a evitar complicações associadas à administração de uma dose inadequada.
Os anestésicos locais são amplamente utilizados em procedimentos médicos para bloquear temporariamente a dor em uma área específica do corpo, como em biópsias e suturas. Apesar de serem considerados seguros, o uso adequado desses medicamentos exige atenção técnica, especialmente no momento do cálculo da dose.
Esse cálculo envolve diferentes variáveis clínicas, como peso, idade e condições de saúde do paciente, que influenciam diretamente na definição da quantidade ideal a ser administrada.
Entender como esse processo funciona é fundamental para a prática clínica. A seguir, você vai aprender como calcular anestesia local e conhecer os principais equipamentos utilizados na aplicação desses medicamentos.
O que é anestesia local e onde é utilizada?
A anestesia local é um procedimento médico que consiste na aplicação de um agente anestésico diretamente na região do corpo onde será feita a intervenção.
Por exemplo, caso o objetivo do procedimento seja tratar uma parte da pele que está lesionada, o anestésico pode ser aplicado ao redor da lesão, a fim de promover um bloqueio anestésico nessa área.
Por que é importante saber como calcular anestesia local?
Saber como calcular anestesia local é essencial para definir a dose ideal de anestésico para cada paciente. Quando o cálculo não é feito corretamente, o bloqueio da dor pode ser insuficiente, caso a dose esteja abaixo do necessário.
Nos casos em que a quantidade de medicamento administrada for acima do indicado para o paciente, ele pode apresentar toxicidade por anestésico local e ter complicações graves, como parada respiratória e convulsões. Por isso, é imprescindível saber como fazer esse cálculo.
Fatores que influenciam no cálculo da anestesia local
Agora que você já entendeu qual é a importância de saber como calcular anestesia local, conheça a seguir quais são os fatores que mais influenciam nesse cálculo:
- Peso do paciente: é um dos principais determinantes da dose, já que o cálculo geralmente é feito em mg/kg;
- Idade: pacientes pediátricos e idosos podem ter maior sensibilidade aos anestésicos;
- Tipo de anestésico: cada substância possui uma dose máxima recomendada e características próprias de ação;
- Presença de vasoconstritor: pode aumentar a duração do efeito e alterar a dose máxima permitida;
- Condições clínicas subjacentes: doenças hepáticas, cardiovasculares ou outras condições podem exigir ajuste de dose.
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Como calcular anestesia local: passo a passo
Cada medicamento anestésico apresenta uma dose máxima recomendada (DMR) que, geralmente, vem expressa em mg por kg. Na maioria dos casos, essa informação está contida na bula do produto.
A DMR varia de acordo com o tipo de anestésico e se esse medicamento será administrado com um vasoconstritor ou não. No caso da lidocaína, por exemplo, se for utilizada sem vasoconstritor, o DMR será de 4,5 mg/kg.
Contudo, caso o profissional ministre a lidocaína juntamente com epinefrina, o vasoconstritor comumente usado com esse anestésico, o DMR será de 7,0 mg/kg.
Após identificar a DMR, é necessário determinar a concentração do anestésico, que costuma ser expressa em porcentagem. No caso da lidocaína, o valor é 2%, que equivale a 20 mg/ml.
Assim que você tiver obtido esses dados, poderá começar a calcular. Veja abaixo como fazer isso:
- Determine qual é a concentração em mg em cada tubete. Por exemplo, uma embalagem padrão de lidocaína a 2% tem 1,8 ml. Como cada ml corresponde a 20 mg de anestésico, o tubete completo terá 36 mg de lidocaína;
- Em seguida, multiplique o DMR pelo peso do paciente;
- Para finalizar, calcule a quantidade necessária de tubetes para o procedimento.
Caso o paciente apresente algum problema sistêmico, como doenças hepáticas, ou seja de um grupo específico, como gestantes ou crianças, a dose deve ser ajustada, levando em consideração o anestésico e o vasoconstritor.
Exemplo prático de cálculo de anestesia local
Para ajudar você a calcular a quantidade de anestésico por paciente da forma correta, vamos mostrar a seguir como fazer o cálculo para administrar lidocaína em um adulto que pesa 60 kg e não tem nenhuma doença sistêmica.
- Primeiro, será preciso determinar a concentração de lidocaína 2% em cada tubete, que, como mostramos anteriormente, é de 36 mg por tubete;
- O próximo passo é multiplicar 60 kg por 7 mg (DMR da lidocaína com vasoconstrictor) = 420 mg;
- Em seguida, será necessário determinar o número de tubetes. Para isso, basta dividir 420 mg por 36 mg = 11,6 tubetes.
Dose máxima dos principais anestésicos locais
Conheça agora a dose máxima recomendada de alguns dos anestésicos locais mais utilizados:
| Tipo de anestésico | DMR |
| Lidocaína com epinefrina (1:100.000) | 7,0 mg/kg (máximo absoluto 500 mg) |
| Bupivacaína com epinefrina (1:200.000) | 2 mg/kg (máximo absoluto 90 mg) |
| Mepivacaína com levonordefrina (1:20.000) | 6,6 mg/kg (máximo absoluto 400 mg) |
Equipamentos utilizados na administração da anestesia local
Além de saber como calcular anestesia local, é fundamental conhecer os equipamentos utilizados para administrar esses medicamentos com mais precisão e segurança durante os procedimentos.
Entre os principais dispositivos está a bomba de infusão, que ajuda no controle preciso da administração de substâncias anestésicas. Um exemplo é a Bomba de Infusão TCI HP Medcaptain, desenvolvida para oferecer maior controle na infusão alvo-controlada, contribuindo para uma administração mais precisa dos medicamentos.
Outro recurso importante é o monitoramento do paciente durante o procedimento. O monitor SedLine auxilia na avaliação da atividade cerebral e do nível de sedação, oferecendo mais suporte para o acompanhamento anestésico em diferentes contextos clínicos.
Além disso, o Aparelho de Anestesia Aisys CS2 GE Healthcare reúne recursos avançados para ventilação, monitoramento e administração anestésica, contribuindo para mais eficiência e segurança durante os procedimentos.
Além desses aparelhos, também pode ser necessário utilizar seringas, agulhas e outros dispositivos de aplicação. Tão importante como saber calcular anestesia local corretamente é utilizar os equipamentos adequados para realizar esse procedimento.
Por isso, a escolha de dispositivos confiáveis e adequados ao tipo de aplicação é fundamental para apoiar a prática clínica e contribuir para resultados mais seguros no atendimento ao paciente.
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