Em 2000, quando a MA Hospitalar iniciou suas atividades em Porto Alegre, tecnologias que atualmente fazem parte da rotina de hospitais ainda estavam longe do nível de mobilidade, digitalização e integração encontrado nas instituições de saúde. Vinte e seis anos depois, monitores, equipamentos de diagnóstico, bombas de infusão e ventiladores dividem espaço com sistemas eletrônicos, serviços de telessaúde e dispositivos capazes de trocar informações.
A dimensão da mudança aparece nos dados mais recentes da pesquisa TIC Saúde. Em 2025, 99% dos estabelecimentos de saúde brasileiros tinham acesso a computadores e à Internet e 92% utilizavam sistemas eletrônicos para registrar informações dos pacientes. O mesmo levantamento mostra, porém, que digitalização e integração ainda não são sinônimos.
Somente 44% dos estabelecimentos estavam integrados à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), enquanto 44% possuíam sistemas capazes de enviar ou receber encaminhamentos eletrônicos. A interoperabilidade permanece, portanto, como uma das etapas em desenvolvimento na transformação tecnológica da saúde brasileira.
A evolução coincide com a trajetória da MA Hospitalar. Fundada em 19 de setembro de 2000 para atender inicialmente a uma demanda relacionada ao fornecimento de embalagens para esterilização, a empresa passou a ampliar de forma gradual sua presença no setor médico-hospitalar. A parceria com a GE Healthcare começou em 2004, a unidade de negócios de insumos foi criada em 2008 e, nos anos seguintes, a companhia expandiu sua operação para outros estados.
Essa expansão aproximou a empresa de diferentes instituições de saúde. A MA Hospitalar se apresenta como parceira de longa data do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e mantém relações comerciais com unidades do sistema Unimed. Entre os exemplos recentes estão o fornecimento de tecnologias à Unimed Missões e a implantação de soluções para a Unimed Litoral.
Em São Paulo, a empresa também participou, em 2026, de atividades promovidas pelo Ensino Einstein, nas quais equipamentos de ultrassom da EDAN foram utilizados em treinamento prático de tratamento intervencionista da dor. Ao longo desse período, o portfólio também passou a reunir fabricantes de diferentes mercados e especialidades. Além da norte-americana GE HealthCare, sediada em Chicago e com atuação em áreas como diagnóstico por imagem, ultrassom e monitoramento, aparecem empresas como a Baxter, sediada em Illinois e presente em tecnologias para centros cirúrgicos, e fabricantes chineses como EDAN, Amoul e Medcaptain.
A EDAN, de Shenzhen, atua em ultrassom, monitoramento de pacientes, eletrocardiografia e diagnóstico; a Amoul, também de Shenzhen, desenvolve ventiladores, desfibriladores e outras tecnologias voltadas principalmente a emergência e cuidados críticos; e a Medcaptain trabalha, entre outros segmentos, com sistemas de infusão e suporte à vida. Essas marcas integram atualmente a relação de parceiros apresentada pela MA Hospitalar.
Equipamentos ficaram menores e chegaram mais perto do paciente
Uma das mudanças mais visíveis dessas duas décadas e meia ocorreu no tamanho e na mobilidade de diferentes tecnologias médicas. O ultrassom é um exemplo. A evolução de sistemas digitais permitiu o desenvolvimento de equipamentos compactos e portáteis que podem ser deslocados entre diferentes ambientes de atendimento.
A literatura médica sobre Point-of-Care Ultrasound, o chamado PoCUS, descreve justamente a redução de tamanho, o aumento da portabilidade e a incorporação de conectividade sem fio como parte da evolução recente dessa tecnologia. Tal lógica também chegou ao atendimento de pacientes críticos.
Ventiladores destinados ao transporte atualmente podem reunir diferentes modos ventilatórios e recursos de visualização em equipamentos projetados para acompanhar pacientes durante deslocamentos intra-hospitalares ou outras situações nas quais um ventilador convencional não seria adequado.
A mudança altera a própria organização da assistência. Em vez de depender sempre do deslocamento do paciente até determinada tecnologia, alguns recursos passaram a ser levados até ele, especialmente em ambientes como emergência, UTI, centro cirúrgico e transporte.
Monitoramento deixou de significar apenas acompanhar uma tela
Outra transformação está na capacidade de registrar, compartilhar e combinar informações produzidas durante o atendimento. Monitores multiparamétricos continuam cumprindo a função básica de acompanhar sinais fisiológicos, mas passaram a integrar um ecossistema muito mais digital.
O catálogo atual da MA Hospitalar, por exemplo, inclui desde monitores de diferentes tamanhos até sistemas destinados ao gerenciamento de dados de monitoramento, além de equipamentos portáteis para o acompanhamento de pacientes. As bombas de infusão também ilustram essa mudança.
Sistemas mais recentes podem trabalhar com bibliotecas padronizadas de medicamentos e, em determinadas configurações, integrar-se ao prontuário eletrônico para receber informações da prescrição e reduzir etapas de programação manual. Essas bombas analisam o potencial da conexão para diminuir determinados erros de administração, embora os resultados dependem da implementação e do fluxo adotado pelo hospital.
Nos centros cirúrgicos, a digitalização começa a atingir também a própria infraestrutura da sala. Um exemplo é o Helion, sistema de integração cirúrgica da Baxter que permite gerenciar e distribuir fontes de vídeo, realizar gravações e compartilhar conteúdos entre equipamentos por meio de controles touchscreen. A plataforma aceita diferentes padrões e fornecedores de vídeo e pode trabalhar com conteúdo em resolução de até 4K e suporte a 3D, concentrando em uma mesma estrutura o gerenciamento audiovisual e parte do fluxo de informações utilizado durante os procedimentos.
Em 2026, a MA Hospitalar informou ter concluído a instalação de sete sistemas Helion nas sete salas cirúrgicas da Unimed Litoral, apresentadas pela empresa como as primeiras instalações dessa tecnologia no Brasil. O caso ilustra uma mudança em relação aos equipamentos hospitalares isolados: parte das novas soluções passa a funcionar como infraestrutura de integração entre diferentes tecnologias dentro do centro cirúrgico.
A evolução também aparece no mobiliário cirúrgico. A PST 300, da linha Hillrom/Baxter comercializada pela MA Hospitalar, utiliza estrutura modular e diferentes configurações de posicionamento para atender variadas aplicações cirúrgicas, além de permitir imagem em 360 graus. Em outras linhas, esse avanço chega à cirurgia robótica: o modelo TS7000dV, também da Baxter, foi desenvolvido para se conectar ao sistema robótico da Vinci Xi, permitindo ajustes de posicionamento do paciente durante procedimentos compatíveis.
Conectividade passa a fazer parte da infraestrutura hospitalar
Se no início da trajetória da MA Hospitalar a discussão tecnológica estava relacionada às funções individuais de cada equipamento, a conectividade ganhou espaço nas decisões das instituições de saúde. A TIC Saúde 2025 identificou que 9% dos estabelecimentos brasileiros utilizavam tecnologias de Internet das Coisas (IoT).
Entre unidades com mais de 50 leitos, o percentual chegava a 15%. A inteligência artificial estava presente em 18% dos estabelecimentos pesquisados, chegando a 31% entre aqueles com mais de 50 leitos. Os números mostram que tecnologias emergentes ainda não estão disseminadas por todo o sistema, mas indicam a direção do processo.
O avanço cria uma nova camada de exigências. Quanto mais dispositivos produzem e compartilham informações, maior é a necessidade de integração entre sistemas, governança dos dados e segurança da informação.
Comprar um equipamento também passou a envolver o que acontece depois da instalação
A transformação tecnológica modificou ainda a avaliação feita antes da aquisição de um equipamento hospitalar. Recursos clínicos continuam sendo centrais, mas aspectos como treinamento, manutenção preventiva, disponibilidade de peças, calibração, atualização tecnológica, portabilidade e capacidade de integração passaram a compor a análise.
A própria estrutura criada pela MA Hospitalar ao longo dos anos acompanha esse movimento. Atualmente, a empresa trabalha não apenas com fornecimento de equipamentos e insumos, mas também com manutenção preventiva e corretiva, calibração, treinamento técnico, locação, peças, acessórios e extensão de garantia.
Essa mudança é especialmente relevante porque a digitalização amplia a relação entre dispositivo, software e infraestrutura tecnológica. A Anvisa reconhece softwares destinados a diagnóstico, terapia ou ao controle de produtos médicos como dispositivos médicos sujeitos à regulamentação, reflexo de uma fronteira cada vez menos definida entre equipamento físico e tecnologia digital.
Uma empresa que cresceu junto com a transformação do setor
A história da MA Hospitalar também foi ampliada. Depois da fundação em Porto Alegre, a companhia abriu operações em Santa Catarina e Paraná, criou um centro de distribuição na capital gaúcha e, posteriormente, expandiu para estados como Mato Grosso do Sul e São Paulo e para o Distrito Federal.
Segundo dados divulgados pela própria empresa referentes a 2025, a operação chegou a 1.375 cidades, 6,8 mil clientes atendidos e 1,5 milhão de itens fornecidos. O catálogo de 2026 reúne soluções para áreas como UTI, urgência e emergência, cardiologia, pediatria, cirurgia, home care, ultrassom e assistência técnica.
Os próximos anos devem ser marcados menos por equipamentos isolados e mais pela integração
Os próprios números brasileiros mostram que esse processo ainda está em construção. Embora 92% dos estabelecimentos já utilizem sistemas eletrônicos para informações dos pacientes, menos da metade estava integrada à RNDS em 2025. Ao mesmo tempo, telemonitoramento, Internet das Coisas, serviços em nuvem e inteligência artificial começam a ocupar espaço dentro das instituições.
Para uma empresa que começou quando a digitalização hospitalar ainda dava seus primeiros passos e chega aos 26 anos em meio à expansão da saúde conectada, a mudança de contexto é significativa: o hospital passou de um conjunto de equipamentos que desempenham funções individuais para um ambiente em que dispositivos, profissionais e sistemas produzem e compartilham uma quantidade crescente de informações.
O equipamento continua no centro de grande parte da assistência. O que mudou é que, cada vez mais, seu valor também depende da capacidade de acompanhar o paciente, integrar-se à rotina clínica e transformar dados em informação disponível para quem precisa tomar decisões.
Sobre a MA Hospitalar
Fundada em Porto Alegre (RS) em 19 de setembro de 2000, a MA Hospitalar atua no fornecimento de equipamentos e insumos médico-hospitalares. A companhia possui soluções direcionadas a áreas como UTI, urgência e emergência, cardiologia, pediatria, cirurgia, home care e ultrassom, além de serviços de assistência técnica, manutenção, calibração, treinamento e locação. A empresa informa possuir mais de 200 colaboradores e presença comercial em diferentes regiões do Brasil.